Doar sangue é um ato de solidariedade. Óbvio?

Solidariedade. O que, realmente, isto significa? No editorial de uma revista feminina semanal, que vi durante os dias de folia de Momo, uma história emocionante serviu para tratar do assunto. Duas irmãzinhas estavam brincando quando uma delas caiu. Depois de se certificar que não era nada grave, a mãe tratou de acalmar a criança que chorava desesperadamente. Falou da magia das mãos de mãe, que tudo podem curar. A irmãzinha se aproximou e disse que se juntasse as mãozinhas dela, o desconforto ia passar mais rápido. Ainda dolorida, muito mais pelo susto, a menina também quis fazer sua parte e segurou o braço da irmã, que tinha tomado uma vacina no dia anterior. Eu não tenho dúvidas de que todas as dores cessaram diante de tamanha corrente de energia.

Se solidariedade é se identificar com o problema do outro e levar apoio, ajuda e amparo, foi isso que aconteceu nesta história. Mas atender o próximo tão próximo, é fácil. E se esse próximo for um desconhecido, que talvez a gente nunca veja?

Trabalhei como voluntária na campanha de doação de sangue do Clube 25, da Cruz Vermelha de São Paulo. A equipe do Clube 25 foi a uma universidade durante a semana mobilizar estudantes e combinou de levar o grupo no sábado, 25 de fevereiro, à Fundação Pró-Sangue e ao Hemocentro da Santa Casa de São Paulo. Só um estudante compareceu. Um. Das várias pessoas que disseram que doariam sangue - um ato de solidariedade - só uma de fato se comprometeu. Eu ainda estou surpresa com o resultado, mas quem trabalha na captação de doadores, parece mais do que acostumado com esta situação. Algumas pessoas só doam sangue por causa do atestado que abona a falta no trabalho. Outras, porque alguém muito próximo precisou de internação e é de praxe o hospital pedir doadores (confesso - foi assim que eu comecei). Alguns outros vão voluntária e regularmente.

Ok, sei que nosso povo mostra a força solidária nos casos de catástrofes. E atende prontamente quando são divulgadas notícias sobre estoque baixo nos bancos de sangue. Mas por que esperar uma situação crítica?

Cada bolsa coletada tem cerca de 400 ml de sangue. Homens podem doar a cada dois meses e mulheres, a cada três. Pouco antes do carnaval, uma vítima de acidente de moto recebeu 90 bolsas do banco do Hemocentro da Santa Casa. Cada um acrescente e calcule os números que quiser.

Informações sobre o Clube 25: facebook.com/clube25 ou o email voluntariado@cvbsp.org.br.

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Tá difícil? Tem saída!

Hoje vou fugir um pouquinho do tema principal. Para isso fiz lá a categoria Parênteses… É que existem coisas que precisamos dividir, ainda mais quando temos crianças na ação central.

Depois de umas dicas da fonoaudióloga, resolveram testar e observar como a Letícia, minha sobrinha de 3 anos e 8 meses, pronuncia algumas palavras:

Vó: “Letícia, fala arrepio”.

Lê: “Arrepio”.

Vó: “Colorido”.

Lê: “Colorido”.

Vó: “Preto”.

Lê: “Peto”.

Vó: “Preto”.

Lê: “Peto”.

Vó: “Pre-to”.

Lê: “Black”.

Bem, não preciso dizer que minha principal inspiração para esta categoria será a Letícia. Histórias desta garotinha liiiiinda não faltam! Pelo menos até o Felipe, o irmãozinho dela de quase dois meses, começar a falar também…

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Amor, eterno amor

Este foi, sem dúvida nenhuma, um dos momentos mais incríveis da minha vida. Conhecer este lugar era quase uma obsessão. Um dia acordei e meu primeiro pensamento foi que iria para lá… Fui. Vou pedir licença ao amigo Wellington Ramalhoso, do www.jornalirismo.com.br, para contar esta experiência aqui também. 

Qual o tamanho do espaço que você precisaria para abrigar seu grande amor? Por quanto tempo você gostaria que sua história fosse lembrada? O que você faria para eternizar esse sentimento?

Eram os anos 30 do século XVII, na Ásia. Um país gigante em cultura, conhecimento, riqueza. Fé, talvez a grande responsável pela perseverança e esperança de um povo, hoje, tão sofrido.

O amor por lá surge de uma forma diferente da que gente conhece por aqui, mas não deixa de ser grande e verdadeiro. O tempo, acreditam, garante isso e algumas famílias ainda se encarregam de promover as uniões. Mesmo numa época em que homens monarcas podiam ter várias esposas, uma se destacou e ganhou o sentimento mais puro de um imperador.

Esta é a história do imperador Mongol Shah Jahan, que governou a Índia num período de muita prosperidade. A amada foi Mumtaz Mahal, ou, “a eleita do palácio”, que morreu ao dar à luz ao 14º filho de Jahan. Hoje, quase quatro séculos depois, milhares de pessoas visitam diariamente o mausoléu que abriga os restos mortais dos amantes. Um lugar que transmite paz e convida à reflexão. Um jardim exuberante, um templo de oração. E no centro, imperioso, alvo, rico em detalhes está o Taj Mahal, o símbolo de uma grande e verdadeira história de amor.

Acho que vai ser difícil alguém superar a imensa construção, toda em mármore branco, com objetivo semelhante. Por 22 anos, milhares de operários trabalharam na construção do Taj Mahal, que custou quase toda a fortuna do imperador. Na entrada para o jardim que fica diante do Taj, está um portal com 22 cúpulas, que representam cada ano da obra.

Além da delicadeza e majestade do mármore branco, a fina decoração com a técnica florentina Pietre Dure, que são os desenhos feitos em marchetaria, quebra o que muitos podem chamar de frieza da pedra. O lápis-lazúli, o ônix, a malaquita, a turquesa e as diversas tonalidades da cornalina conferem o colorido do precioso trabalho. As flores são os motivos principais, já que os moguis acreditavam que eram “símbolos do reino divino”. Tão delicado quanto a marchetaria, estão os trabalhos em relevo entalhado, cujo tema também é floral. A fé e a religião estão presentes nos trechos do Alcorão pintados em vários pontos. O trabalho é deslumbrante e quando lembramos que no século XVII não havia os recursos e ferramentas da atualidade, como computadores e laser, torna-se ainda mais belo. A marchetaria é, ainda hoje, o sustento de muitas famílias na Índia, principalmente na região de Agra.

Shah Jahan começou também a construção de outro mausoléu, que seria de mármore negro, mas os filhos o impediram. Hoje, os restos mortais do imperador e da esposa estão lado a lado no Taj Mahal. Mas aos turistas é permitido o acesso apenas ao espaço onde estão as réplicas dos túmulos.

“Grandioso” parece pouco para descrever tamanha beleza. E olha que não me agrada a atmosfera noir de cemitérios… Mas o ambiente é muito diferente dos padrões que conhecemos para tal fim. Por mais imagens do Taj que já tenham sido publicadas, é impossível não ficar abobalhado diante do brilho discreto de pequenas pedras com a passagem do sol. E é um momento muito rápido. Sim, é verdade que o Taj muda de cor ao longo do dia. Os reflexos dourados dos primeiros raios de sol sobre o mármore branco e o cinza da face ainda em sombra é um contraste que não se apaga da memória. Nem mesmo o clima seco e o ar bastante poluído (na Índia chove, normalmente, três meses no ano, período conhecido como monções, quando a chuva percorre o país) atrapalham a visita. Melhor aproveita quem não tem pressa. Eu fui dois seguidos e não me arrependi. Valeu a pena.

No século XIX, durante a dominação britânica, o monumento foi severamente ameaçado por causa do processo de depredação, que incluiu várias construções históricas. A reparação veio no século seguinte e em 1993, o Taj Mahal foi declarado pela Unesco Patrimônio da Humanidade. Em 2007, o monumento foi escolhido como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno.

O Taj Mahal é fechado à visitação pública às sextas-feiras, dia que só muçulmanos podem entrar para as rezas na mesquita. Se gosta de fotografia e planeja levar o tripé, esqueça! Não entra. E não há conversa ao pé de ouvido que possa dar um jeitinho. Filmadoras e cadernos também são proibidos; mas não há problemas de usar os recursos do celular ou da máquina fotográfica digital, que permitem a gravação de pequenos filmes. Se o guia turístico for bem legal, como era o meu, ele vai fazer uma varredura nas suas coisas e separar o que pode ou não entrar.

O Taj Mahal está na cidade de Agra, em Uttar Pradesh, no norte da Índia. Faz parte do roteiro turístico conhecido como Triângulo Dourado (que inclui Jaipur e Delhi). Só Agra tem cerca de quatro milhões de habitantes; no Estado de Uttar Pradesh, que tem mais 70 distritos, são aproximadamente 170 milhões de pessoas. A Índia é um dos países mais populosos do mundo com 1,2 bilhão de habitantes, segundo as Nações Unidas.

Abstrair a realidade do entorno só é possível em alguns momentos, como na visita ao Taj. Mas este é assunto para a próxima publicação. A Índia é grande e, com toda certeza, o tempo foi pouco. Ainda falarei mais deste lugar cheio de contradições, com cultura e costumes que dominação nenhuma poderia apagar.

PS: Adorei essa história de comemorar meus aniversários viajando…

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Mais uma vez, Paris

Tour Eiffel

Antes que alguém diga que já ouviu as mesmas histórias e que já viu os mesmos lugares ‘n’ vezes, ainda que pelas imagens que se multiplicam pela internet, foi a minha primeira vez em Paris. E apesar de tudo parecer familiar, era diferente. A surpresa e o frio do outono europeu de 2009 chegava a cada curva e, com certeza, nada era o que eu já tinha visto ou sentido…

Esperar um bom lugar para ver a "Monalisa", no Louvre, pode demorar

Nada como o olhar e a animação de quem está de férias. Centenas de milhares de turistas dividindo com você os mesmos espaços. Claro, além dos próprios parisienses. Haja exercício da paciência… O fato é que, curtindo as férias, até os incômodos são menores. Nem a chuvinha fraquinha, persistente e fria de novembro consegue acabar com o bom humor. Afinal, não é sempre que estamos em Paris!

Faça chuva ou faça sol, provavelmente, você vai cumprir o roteiro planejado. Os ônibus turísticos, com o segundo andar aberto para o deleite do visitante, passam em intervalos regulares. As empresas oferecem passes de um ou dois dias: neste período, o turista pode descer e voltar ao ônibus quantas vezes quiser. Perfeito para quem tem pouco tempo em Paris. 

Tour Eiffel - Le Chocolat Chaud

Confesso que o primeiro chocolate quente na capital mais visitada no mundo, ainda no aeroporto, não agradou. Fiquei um pouquinho desapontada. Dos outros tantos que provei, o melhor foi o do Les Buffets, a lanchonete de um dos estágios da Torre Eiffel. Talvez por ter ajudado a aquecer a alma! O mais caro que paguei, claro. Afinal, ao redor do monumento mais visitado do planeta, os comerciantes ditam seus preços! E isso faz você desembolsar cerca de R$ 20 por um misto frio, com uma fatia de queijo (francês!) e uma de presunto, e um refrigerante em lata aos pés da Torre. Se não deu para economizar no lanche, ganhe tempo na entrada! Para evitar a fila da bilheteria, o ingresso pode ser comprado pela internet, no site oficial do monumento: www.tour-eiffel.fr.

Arc de Triomphe

Paris respira História. Não é simplesmente subir ao topo do Arco do Triunfo e apreciar a vista de toda a cidade; é estar no monumento erguido por Napoleão Bonaparte em homenagem a seus soldados e suas conquistas (acredite, o esforço vale a pena, apesar da escada caracol).

Notre Dame

Não é acompanhar mais uma missa numa catedral; é sentir toda a atmosfera e se emocionar muito dentro da Notre Dame, cuja construção começou no século XVII.

O Louvre fecha às terças-feiras; todo primeiro domingo do mês, a entrada é gratuita

Não é conhecer, deslumbrar-se e andar muito no Museu do Louvre, que abriga a Monalisa (Leonardo da Vinci), ou La Joconde, como os franceses a chamam; é conhecer os alicerces originais da cidade. Não é só sonhar e desejar diante das vitrines da Champs-Elysées; é descobrir um restaurante onde você pode comer pato, um dos pratos mais típicos da França, e tomar uma boa taça de vinho por um preço razoável.

Perder-se em Paris pode ser uma boa oportunidade de tomar um bom café.

É aproveitar os cafés dos boulevard (que também servem vinho!); esquecer da vida num dos fabulosos parques, como o Jardim de Luxemburgo; absorver o clima dos jardins do Trocadéro ou da Escola Militar, de onde se tem uma bela vista da Torre Eiffel, principalmente à noite, quando ela se ilumina. É fazer um piquenique numa praça em plena cidade grande. É descobrir as ruelas com pequenas construções seculares, que guardam seu charme. Para isso, é preciso flâner, perambular.

O Cabaré mais famoso

Na primeira vez em Paris, talvez valha a pena reservar uma boa quantia para assistir ao espetáculo do cabaré mais famoso do mundo, no Moulin Rouge. O jantar não é dos melhores, mas, certamente, dos mais caros. Se a viagem coincidir com uma data especial, uma comemoração importante, pour quoi pas? Vale a pena sim! As reservas devem ser feitas com antecedência, direto no site http://www.moulinrouge.fr/.

O Moulin Rouge pode ser o encerramento da noite. O passeio no bairro Montmartre, durante o dia, é bastante agradável, mesmo com suas ladeiras íngremes e centenas de degraus. Foi em um dos cafés do bairro que um anãozinho conquistou muita gente no cinema: começou sua jornada pelo mundo em O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

Sacre Coeur

A basílica Sacre Coeur, avistada lá de baixo, é grandiosa. Uma das esculturas na entrada principal é em homenagem a Joana D’Arc. Dentro, um dos pontos altos é a imagem da Virgem com o filho nos braços. E se ainda tiver pernas, vá até o topo da basílica. Pela escada. Montmartre é onde ainda bate o coração dos artistas. Por ali há registros das passagens de Cézaenne, Monet, Degas, Renoir, Pablo Picasso, Vincent Van Gogh, Toulouse Lautrec…

Montmartre - ainda reduto de artistas

Au Lapin Agile, um cabaré do começo do século XX, era o lugar preferido de muitos artistas. Hoje, as principais áreas são ocupadas por pintores, retratistas e pessoas que esperam agradar os visitantes com suas performances.

O sistema de transporte é bastante eficiente. As linhas de ônibus são relativamente curtas, mas passam por vários pontos onde é possível pegar outro ônibus e ir para qualquer lugar da cidade. E o melhor: sem pagar outra passagem. A integração também inclui o metrô, com várias linhas e várias estações de correspondências. Todas as paradas de ônibus têm o mapa do trajeto e os horários dos coletivos. O mapa do metrô também é muito fácil encontrar. Se você se perder em Paris, basta perguntar onde está o rio Sena.

Claro que me perdi. Minha direção era a Notre Dame. Num ponto de ônibus, vi que aquela linha me deixaria perto da Notre Dame de Champs. Fui para outro lugar.

Panthéon

Quando percebi, estava perto do Panthéon. Mais história e cultura. Símbolo da Revolução Francesa, homenageia todos os que pensaram e lutaram por ela. Ali estão os restos mortais de figuras ilustres, como Rousseau, Alexandre Dumas e Victor Hugo.

Pâtisserie

Boulangerie, boucherie, pâtisserie, marchê – perdições para qualquer um. Cantinhos especiais que só são descobertos por quem está disposto a flanar pelas ruelas da cidade. Paris é uma cidade para ser sentida sem pressa, sem destino. Uma vez só não basta.

À tout à l’heure!

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Voilà!

Salut!

Cheguei! Vocês vão me encontrar sempre por aqui, falando das coisas que me dão prazer, que me completam, que me fazem crescer e aprender.

A minha estreia, daqui a pouquinho, é com um assunto que a-do-ro: viagem. E esta foi muito especial, pois comemorava meu aniversário. É assunto que não cabe num post só, mas falarei mais deste passeio, que inclui o Taj Mahal, na Índia, a Disney de Paris e champagne no café da manhã… Tem ainda os meses que morei em Lyon. Não podia imaginar que fazer 40 anos seria tão bom!

E para começar esta minha vida de blogueira, a próxima publicação conta uma história de amor à primeira vista – Paris, toujours!

Bienvenue! Et à bientôt!

Renata Camargo

rerecamargo.wordpress.com

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